Desafios par ao ensino da Língua
Portuguesa
O Ensino de Língua
Portuguesa passou por modificações ao longo dos anos e a escola tem sido atingida
por essas mudanças. O desenvolvimento das tecnologias e seu uso no ambiente
escolar são uma realidade e uma necessidade que deve ser observada pelos educadores
comprometidos com a efetiva aprendizagem dos educandos.
Além disso, a partir do
momento que a escola passou a ser “para todos”, diferentes culturas e níveis
socioeconômicos chegaram com esses novos alunos. É um desafio muito grande para
o professor, estabelecer metas que garantam o processo de construção da
aprendizagem e a inserção social das novas gerações. O papel do educador hoje deve
ser o de formar não apenas profissionais com conhecimentos em matérias específicas
e sim seres humanos capazes, seguros, aptos para pesquisar, questionar, viver
em grupo, assim garantindo o exercício pleno da cidadania.
Atualmente, muito se
tem falado em competências e habilidades como pré-requisitos em situações de aprendizagem.
O suíço Perrenoud (2002, p.16), aborda essa questão em suas obras, a exemplo
das Dez Competências para Ensinar no Século XXI. Para ele, a competência vai
mobilizar o indivíduo a colocar em prática conhecimentos armazenados e/ou adquiridos
diante de algumas instâncias da vida.
Competências e habilidades estão relacionadas, levando em consideração
que esta é parte constitutiva daquela. A escola desprezou esse aspecto, contudo
tem se esforçado para mudar este quadro através de atividades que mobilizam tanto
os alunos quanto os professores. Essa mudanças exploram esforços na criação de
situações diversificadas, descobrindo praticas variadas que permitam uma
aprendizagem significativa, levando o aluno a criar mecanismos para a resolução
de problemas não apenas ligados a uma situação específica, mas àquelas que lhes
são apresentadas cotidianamente, fazendo uso de suas competências e
habilidades. Para que isso realmente
aconteça, a escola deve abrir mão do ensino fragmentado e excludente e adotar formas
multidisciplinares na abordagem dos assuntos, para que o aluno perceba a
relação entre eles e sua própria realidade.
O uso de novas mídias e
tecnologias no espaço escolar é necessário, porém, esse processo é lento e
precisa ser feito com responsabilidade e muito planejamento, pois:
Ensinar com as novas mídias será uma
revolução, se mudarmos
simultaneamente os
paradigmas convencionais do ensino, que
mantêm distantes
professores e alunos. Caso contrário
conseguiremos dar
um verniz de modernidade, sem mexer no
essencial.
(MORAN, 2000, p. 4).
O papel do professor agora
é o de mediar à cultura tecnológica no espaço escolar transformando esse em um espaço
de inclusão social onde todos tenham o mesmo acesso às informações, aos meios
de comunicação, à igualdade de oportunidades, uma vez que:
As mediações não estão dadas. Elas se constituem enquanto
ações reflexivas. E podem ocorrer de fato, tanto na esfera da
produção quanto na
recepção. Para o nosso caso, enquanto
educadores, as mediações
precisam ser potencializadas,
desenvolvidas, trabalhadas. E a escola pode e deve estar
articulada às
demais esferas da sociedade civil na construção das
alianças de
transformação, na medida em que se inclua, nesta luta
de conquista de poder,
junto às camadas excluídas e
marginalizadas, com
respeito ao acesso às mídias
contemporâneas.
(OROFINO, 2005, p. 51).
Mas é necessário ter cuidado
na introdução das ferramentas tecnológicas. É preciso: planejar, estabelecer objetivos
e então, de forma equilibrada fazer uso dessa ferramenta. Agregar as mídias tecnológicas
a pratica pedagógica, saber como utilizar os recursos, as ferramentas de que dispõe
é uma maneira de direcionar os passos, tendo em vista um ensino e aprendizagem
mais significativa.
É
importante não nos esquecermos de que a tecnologia possui
um
valor relativo: ela somente terá importância se for adequada
para
facilitar o alcance dos objetivos e se for eficiente para
tanto.
As técnicas não se justificarão por si mesmas, mas pelos
objetivos
que se pretenda que elas alcancem que no caso serão
de
aprendizagem. (MASETTO, 2000, p. 144).
Torna-se
claro que o maior desafio para o ensino da Língua Portuguesa na
contemporaneidade está em aceitar os diferentes indivíduos e os diferentes
níveis de aprendizagem presentes em sala de aula e incorporar este ensino as
novas demandas tecnológicas. Lembrando que para uma aprendizagem significativa
é necessário levar-se em conta a “bagagem” desse educando e mediando seus pré
conhecimentos à novos.
Bibliografia
MASETTO, Marcos T. Mediação pedagógica e
o uso da tecnologia. In: MORAN, José
Manuel; MASETTO, Marcos; BEHRENS,
Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 12.. ed. Campinas:
Papirus, 2000.
OROFINO, Maria Isabel. Mídias e mediação
escolar: pedagogia dos meios, participação e visibilidade. São Paulo: Cortez;
Instituto Paulo, 2005.
PERRENOUD, Phillipe. As Competências
para ensinar no Século XXI: a formação dos professores e o desafio da
avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.
TENTI FANFANI E. Pedagogía y cotidianidad. En: TENTI FANFANI
E. 2000.
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