domingo, 2 de junho de 2013

Como o trabalho que vamos desenvolver diz respeito ao consumismo e para realizar minha TCC usei este como um dos texto de apoio, creio que ele ilustre nosso trabalho.


A LINGUAGEM DA PROPAGANDA
CARVALHO, Nelly de. Publicidade, a linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 1996. (resumo)

            O estudo da linguagem publicitária trata da manipulação. Falar é argumentar, é tentar impor. O mesmo se pode dizer dos discursos políticos, religiosos e até do discurso amoroso. Em todos esses casos há uma base informativa que, manipulada serve aos objetivos do emissor. A diferença está no grau de consciência quanto aos recursos utilizados para o convencimento. A linguagem publicitária se vale desses recursos para mudar ou manter  a opinião do público-alvo.alguns autores reservam o termo propaganda para os contextos institucional ou religiosos, deixando o termo publicidade, mais leve,  para o comércio.
            Como um estranho não tem autoridade para mandar, a publicidade adota técnica variadas:
                        Fazer-agir: Beba Coca-Cola!
                        Fazer-crer; Só Omo lava mais branco!
                        Fazer-buscar prazer: Se um desconhecido oferecer flores, isto é Impulse!

            A mensagem publicitária, sendo um  braço da moderna tecnologia, promete, abundância, progresso, lazer, beleza, juventude. Ao contrário das catástrofes noticiadas nos jornais, a publicidade fala de um mundo bonito e prazeroso. Esse prazer está associado ao uso de determinado objeto, criando a linguagem da marca, o ícone do produto. Antigamente, a publicidade se limitava  a dizer que na rua tal no. tal, vende-se tal mercadoria, ou tal serviço. Hoje, a publicidade tende a banalizar um produto ( torná-lo acessível) e, ao mesmo tempo, exaltar suas qualidades. Possuir certos objetos passou a ser sinônimo de felicidade. Se na linguagem do cotidiano muito pouco se usam as ordens, preferindo formas eufemísticas (faça o favor de entrar), a publicidade pode ser mais direta: - Abuse e use C & A!.
            Toda a estrutura publicitária sustenta uma argumentação icônico-lingüística, que leva o consumidor a convencer-se, consciente ou inconscientemente. Com aparência de diálogo, na verdade á uma relação assimétrica. O verdadeiro emissor é excluído do circuito..

            A publicidade diz e sugere sem dizer explicitamente. Usa recursos estilísticos:
            Fonéticos: onomatopéias, aliterações etc.
            Léxico-semânticos: criação de termos novos, novos significados, clichês, duplo sentido etc.
            Morfossintáticos: grafias inusitadas, flexões novas, sintaxe não linear etc.
_    A Ericsson fez um telefone com tudo em cima!
–        Diet-Coke traz o prazer  de viver em forma!
–        Ainda não inventaram um passe bem melhor que passe bem.

            O discurso publicitário cumpre seu papel por três vias:
            1- psicológica – a eficácia do jogo de palavras resulta do fato de que esse jogo causa prazer, quando de sua decifração; é erótico, no sentido psicanalítico do termo;
            2- antropológica – parte da proclamação de que o consumidor é irracional; reaviva arquétipos, ocultos, mas fundamentais;
            3- sociológica – não se dirigindo a ninguém em particular, passa a impressão de que se dirige a cada um de nós, identificando-nos como membros de uma polis;
            É algo parecido com a crença em Papai-Noel. Todos sabem ser um mito, mas todos o aceitam. A mensagem faz ver que falta algo ao ser humano e se propõe a preencher esse algo.
            Os anúncios dirigidos à mulher tratam-na como grande consumidora, não só de artigos pessoais e para o lar, com também artigos infantis e mesmo para homens, como roupas, etc. Como a mulher “não trabalha”, pode ir às compras. Os anúncio voltados para  a mulher seguem um padrão:
1-      espectro de cores mais amplo;
2-      uso freqüente de intensificadores; (muito, tudo, mais, grande, etc.)
3-      uso de perguntas retóricas; ( O seu marido fuma? Tem vida sedentária? – anúncio de margarina).

O APELO DAS MARCAS
Exemplos:
Puc – malha infantil – associação com universidades católicas;
Tip-top – onomatopéia
Ceval – marca de alimentos, remete a cevada;
Rexona – nome vazio de significado;
Jauense – o nome que levou anos a ser tecido – duplo sentido;
Tecidos Ferreira Guimarães – apelo a nomes tradicionais;
Senador- sabonete – apelo à nobreza do cargo;
Salutar – margarina- boa para a saúde;
Maguary – suco de frutas tropicais com nome indígena;
Sempre-livre – duplo sentido;

É comum o uso dos sufixos: ax, ex, ix ol, e on.
São prestigiadas as palavras estangeiras: inglês para eletro-eletrônicos, francês para perfumes, bebidas e cosméticos, italiano para comida.
Nos produtos para uso infantil, usam-se diminutivos: musiquinha, chorinho, sopinha
A repetição intensa do nome do produto é recurso muitas vezes empregado: “Clarins. A escolha em tratamento de beleza líder na França. Clarins. Paris. Linha completa de tratamento de rosto, corpo e busto. Clarins.”
Usa-se o duplo sentido:
         “Vision -  a panela que mostra o que faz” (panela de vidro).
–        - “Midsize Philco – para o caso de sua cozinha ser tão ocupada como você”. (microondas)
–         – “ A moda que vai pegar no seu pé (sapatos)”
–        - Na hora de comprar cinto não se enrole. Cintos com personalidade. Monsieur Leclair.

O LOGOTIPO
Exemplos:
F de Forum, numa placa como de estacionamento permitido – o receptor não aparece, mas é subentendido como da faixa etária jovem.
INSS – árvore, representando solidariedade.

NEOLOGISMOS
Exemplos:
Por prefixação:Auto-hidratação; antifrio; antiolheiras; bio-esferas; biossistema; microcápsulas; pré-solar; ultra-hidratantes;
Por sufixação: cabelos permanentados; cera Tabletina;
Por modificação gráfica: Konverta-se e Finlandize-se (vodca);
Por onomatopéia: Leite Mhan-Mhan (tipo longa vida);
Por nova conceituação – “o nosso capital-pele tem sido mal gasto”.

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